Mistério resolvido: estudo descobre por que chove tanto na Amazônia

Cientistas que estudam há mais de 25 anos a formação das nuvens na Amazônia sempre se depararam com um mistério: as gotículas de água produzidas pela floresta são insuficientes para provocar as tempestades, que são constantes na região. De onde vinha o resto?

Segundo estudo publicado nesta segunda-feira (24) na revista Nature, a resposta é surpreendente: as gotículas vêm do céu, de grandes altitudes.

Os aerossóis (nanopartículas) que estão na atmosfera a cerca de 15 mil metros de altitude (faixa por onde voam os aviões comerciais) se somam às partículas vindas das árvores e alimentam as nuvens da região amazônica.

Os cientistas já sabiam da existência dos aerossóis em grandes altitudes e que eles eram removidos pela chuva. Faltava entender como a atmosfera restabelecia a concentração de aerossóis rapidamente. O que descobriram foi de onde eles vêm e como ajudam a “fazer chover”.

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Partículas que sobem e descem

Os gases emitidos pelas árvores da floresta são levados da superfície para a alta atmosfera pelo movimento vertical de massas de ar. No alto, onde a temperatura é de cerca de -55°C, eles se condensam e formam os aerossóis.

Essas nanopartículas são retiradas da alta atmosfera pelas correntes descendentes de nuvens de chuva e se combinam com os gases das árvores que estão vindo em correntes ascendentes.

Neste encontro, as partículas crescem rapidamente e formam gotículas e nuvens. As correntes de convecção dão início à chuva.

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Distribuição eficiente
“O conjunto dos gases emitidos pela floresta e as nuvens fazem uma dinâmica muito peculiar e produzem enormes quantidades de partículas em altas altitudes, onde se acreditava que elas não existiriam”, diz o físico da USP Paulo Artaxo, um dos autores do estudo. “São mecanismos biológicos da floresta atuando junto com as nuvens para manter o ecossistema Amazônico em funcionamento.”

Segundo ele, esses gases são jogados para a alta atmosfera, onde a velocidade do vento é muito grande, e são redistribuídos pelo planeta de forma muito eficiente. “Estamos atualmente realizando trabalhos de modelagem para precisar as regiões afetadas pelas emissões de gases da Amazônia e transportadas pela circulação atmosférica”, diz o cientista.

Como tais mecanismos eram até agora desconhecidos, essa produção de aerossóis não está contemplada em nenhum modelo climático. “É um conhecimento que terá de ser incluído, pois ajudará a tornar as simulações de chuva na Amazônia mais precisas”, diz Luiz Augusto Machado, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial), que também participou do estudo.

Segundo Machado, a observação de aerossóis se formando a partir de gases vindos da superfície é surpreendente. Isso porque quando se ultrapassa altitudes superiores a 2.500 metros ocorre uma inversão de temperatura que costuma inibir o transporte vertical de partículas. “O transporte através das nuvens convectivas [que sobem e descem] quebra essa barreira e permite o mecanismo funcionar em regiões tropicais”, explica ele.

A importância dos aerossóis não está somente na formação de nuvens na Amazônia – o que já seria muito, já que a dinâmica climática na região regula o clima em todo o globo. Eles são fundamentais também para o controle da radiação solar que atinge a Terra. Assim, equilibra a fotossíntese e a temperatura do ecossistema amazônico.

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Descoberta feita sem querer
A descoberta dessa dinâmica essencial para explicar a origem das chuvas foi feita por um acaso, quando cientistas investigavam o efeito da poluição de Manaus na atmosfera amazônica no experimento GoAmazon (Green Ocean Amazon Experiment).

Artaxo diz que investiga há muito tempo a formação de novas partículas de aerossóis na Amazônia, sem conseguir explicar o fenômeno. “As medições eram sempre feitas em solo ou com aviões voando até no máximo 3.000 metros de altura. Mas a resposta, na verdade, estava ainda muito mais no alto da atmosfera amazônica”, diz o pesquisador.

No atual estudo, as medidas foram feitas por dois aviões que voaram em altitudes de até 15 mil metros. Os resultados batem com medidas feitas em solo pelo laboratório Torre Alta de Observação da Amazônia, uma torre de 320 m de altura situada na região central da Amazônia.

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